Posted tagged ‘Lula’

Rio: um estado de calamidade pública (Cora Rónai)

abril 8, 2010

Fonte: http://cora.blogspot.com/

Os astros deviam estar mesmo completamente desalinhados na última terça-feira, quando o mundo veio abaixo. O presidente e o governador não só estavam de passagem pelo Brasil como, ainda por cima, encontravam-se ambos no Rio. Aproveitaram para tirar da gaveta as suas caras mais compungidas, deram uma espanada e uma mão de óleo de peroba, e prontamente puseram-se a desfiar o óbvio, como se fosse súbita e espantosa revelação:

“Não é mais possível permitir que as pessoas ocupem áreas irregulares, — pontificou Lula, cujos conceitos de regularidade e irregularidade até hoje não ficaram claros. “É preciso que os administradores públicos antevejam isso.”

Concordamos todos. Teria sido muito bom para o Rio de Janeiro se o governo federal, em algum momento, tivesse antevisto isso. Talvez tivesse sido melhor ainda se tivesse destinado verba um pouco mais generosa do que o 1% dos recursos federais para a prevenção de enchentes que veio para cá.

O governador Sérgio Cabral, capaz de chorar lágrimas de crocodilo em defesa dos royalties do petróleo, não viu, porém, necessidade de tocar nessa cobrança desagradável com o visitante ilustre, e pos a culpa pelas mortes nos próprios mortos:

“Não é possível a construção irregular continuar. Se você pegar essas pessoas que morreram, quase todas estavam em áreas de risco.”

Não diga, governador! É mesmo?! Ainda bem que temos um líder dotado da sua sagacidade, capaz de identificar, com essa precisão cirúrgica, um problema que nenhum de nós jamais percebeu.

“É uma loucura, é uma irresponsabilidade!”, exclamou, ao ver – pela televisão, é claro — os desabrigados que, desesperados, tentavam salvar seus poucos pertences em meio à lama. “Essas pessoas estão cometendo quase que um suicídio!”

É provável que o governador não tenha percebido antes a loucura e a irresponsabilidade que são a construção e a existência em “áreas irregulares” porque, quando as visita, vai a caça de votos, e aí, com aquela gente toda em volta, e mais galhardetes, cartazes, artistas e seguranças, não dá para ver nada direito. Além disso, em dias de sol, a loucura e a pulsão suicida evaporam junto com a água e os demais problemas. Agora então, que as casas nas favelas vão levar umas mãos de tinta, tudo vai ficar uma beleza.

Assim como o presidente, o governador também foi enfático ao lavar as mãos e ressaltar a responsabilidade das “autoridades”. Sobrou para o prefeito Eduardo Paes, que fez a única coisa possível: deu nota abaixo de zero à cidade. Um diagnóstico perfeito, do qual não há carioca que discorde. A diferença é que ele ganha para fazer com que essa nota melhore, mas tirando o famigerado convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral, não se tem notícia de qualquer providência de sua parte em relação a obras que poderiam aliviar o drama.

Estamos fritos.

* * *

Seria até tranquilizador ver todos os manda-chuvas (!) de acordo em relação ao absurdo que é a construção em “áreas irregulares” se, às palavras vazias, houvesse sido acrescentada alguma ação concreta em tempos secos e não-eleitoreiros.

Derrubar casas de classe média construídas em encostas perigosas é jogada demagógica para a platéia, e não resolve nada a longo prazo; derrubar casas pobres, além de não resolver nada também, é, anda por cima, politicamente incorreto, e leva à perda de votos — algo pior, para esses cínicos, do que a perda de vidas.

Acontece que, enquanto a lei não for de fato respeitada, e enquanto cada um puder fazer o que bem entender onde bem não pode, tudo continuará na mesma.

Por outro lado, não adianta ameaçar com os rigores da lei quem não tem para onde ir. Ou se trata a periferia com dignidade, cria-se um programa sólido e permanente de habitações populares e dá-se jeito no deplorável panorama dos transportes públicos da cidade, ou o Rio será, entra ano sai ano, o eterno cenário de uma tragédia anunciada.

* * *

A melhor frase sobre a calamidade que vivemos foi da leitora Luisa Maria de Sant’Anna Cardoso, publicada na seção de cartas da edição de ontem:

“O governo do Rio cumpre promessa de campanha: levar água e esgoto a todas as casas do Rio de Janeiro!”.

* * *

Há alguns (muitos) anos eu estava em Congonhas, caminhando com outros passageiros em direção ao avião que me traria de volta para o Rio, quando o sujeito que ia à minha frente, tendo terminado de ler o jornal, atirou todas as suas folhas ao vento. Tenho testemunhas: o sujeito era o cultíssimo, elegantíssimo, refinadíssimo Mario Henrique Simonsen, e até hoje não consegui esquecer o seu gesto de absoluta barbárie.

Ora, quando até um Mario Henrique Simonsen acha normal jogar um jornal inteiro (!) na pista de um aeroporto (!!!), o que se pode esperar de pessoas menos sofisticadas? É evidente que temos uma grave falha cultural em relação ao lixo; ou o governo toma providências em relação a isso, criando campanhas de conscientização permanentes e multando os porcos, ou continuaremos na mesma, pois já ficou claro que, em casa, esta educação não está funcionando.

Impossível não é. O cigarro, com todo o lobby das companhias de tabaco por trás, passou a ser mal visto; a mesma coisa se poderia fazer com o lixo, que sequer emprega marqueteiros internacionais.

Já está provado: o ser humano pode ser treinado.

* * *

Cariocas, recortem esta foto. Guardem. Os que querem emagrecer podem até colar na porta da geladeira, porque dá engulhos e tira o apetite. Mas, sobretudo, lembrem-se dela no dia das eleições. É isso que dona Dilma acha que o Rio merece.

(O Globo, Segundo Caderno, 8.4.2010)

Anúncios

Yes, We Can Rio!

outubro 4, 2009

2 de Outubro de 2009. Essa data com certeza jamais será esquecida para aqueles que de alguma forma respiram o Esporte. Um dia, onde a consagração desta cidade onde já é consagrada por Deus foi comprovada, para a alegria e felicidade da população mais feliz do mundo.

Copacabana, uma das praias mais famosas do mundo, inspiração de poetas, bambas e compositores, palco do reveillón mais fantástico do planeta, explodiu após o anúncio histórico feito pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). O coração símbolo da campanha do Rio 2016, agora pulsava mais forte do que nunca. E em cada pedaço deste coração, estava cada gente deste nosso povo, cada etnia, cada manifestação popular. Fora o sonho de termos o maior evento esportivo do mundo na América Latina. Por isso, a torcida não se limitou aos brasileiros, mas também contou com uruguaios, paraguaios, bolivianos e até quem sabe de alguns argentinos.

Para o Brasil, o Rio 2016 representa o progresso de uma nação que a cada ano que se passa, apesar de todos os problemas e dificuldades em todos os âmbitos, tem se mostrado capaz de se superar. Particularmente, eu acredito que depois da Educação, o Esporte se apresenta como uma das soluções mais eficazes, não só para o Rio, mas também para todo o resto do Brasil. Em primeiro lugar, somos um povo que possui a competitividade no sangue. Difícil encontrar um brasileiro que não goste de um esporte se quer, nem que seja para torcer. Fora o fato de ser algo que atinge a todas as camadas populacionais, sem preconceitos. O Esporte traz e ensina a disciplina, a ética e educa aos que praticam. Assim como a educação premia seus alunos pela dedicação e empenho com o diploma, o Esporte presenteia com a Medalha, seja ouro, prata ou bronze ou com troféu àqueles que alcançam a glória. Portanto, esta vitória representa a esperança de erradicarmos a analfabetização, tirar os jovens dos semáforos, dos caminhos do tráfico e da violência e ampará-los e ocupá-los dentro dos centros esportivos. Chegou a hora de evoluirmos de “País do Futebol” para “O País Olímpico”.

400_lulaolimpicoNossa conquista não pode deixar de ser creditada também ao nosso Excelentíssimo Presidente Luís Inácio Lula da Silva, que fora criticado por suas viagens pelo mundo afora, que por vezes eram formas de reforçar as relações diplomáticas com diversos chefes de Estado. A supremacia do Rio de Janeiro na votação final, obtendo una vitória de mais que o dobro dos votos a favor de Madri, mostrou o quão é importante tais relações. O Mesmo Lula que outrora foi vaiado durante a abertura do Pan 2007, por um Maracanã completamente lotado durante a abertura dos jogos no mesmo Rio de Janeiro, teve sua reviravolta neste dia 2. Não é de hoje, que nosso Presidente conta com altíssimos índices de aprovação popular. Mas com esta conquista, as chances desta estatística aumentar ainda mais são enormes. Sem contar é claro, que foi com a emoção de Lula e a sua sinceridade, desde o discurso até a comemoração final, que os integrantes do COI ficaram emocionados. Difícil imagina outro Presidente que defendesse e entrasse e entrasse nesta “disputa” com tanta garra, como ele entrou. Porque Lula é um brasileiro como qualquer outro. É pernambucano de nascença, porém um tanto paulista, carioca, catarinense, cearense, amazonense, etc. Isto é, com uma identidade brasileira que poucos homens possuem.

Pele-and-Lula-celebrate-R-001

0,,23696563,00Esta vitória foi tão comemorada quanto um título do time de coração. Que após a conquista, é soado o hino do time, neste caso, o da cidade. E ao escutar e cantar este hino percebe-se que realmente esta cidade é maravilhosa, cheia de encantos mil. E é o coração do meu, do seu e do nosso Brasil. Brasil este que terá a oportunidade de marcar um gol de placa, ao sediar em 2 anos, os dois maiores eventos do Planeta, a Copa do Mundo e a Olimpíada.

E que Deus nos livre de organizadores mal intencionados e corruptos, para que não desviem nada dos 28 bilhões da verba disponibilizada e que todas as aplicações deste dinheiro não sejam como castelos de areia, e permaneçam da mesma forma por anos, trazendo a evolução para esta cidade que comprovadamente é a mais linda do mundo. O Rio 2016 será a Olimpíada do Samba, da malandragem, do gingado, do sotaque encantador, dos eventos febris. As batucadas da Sapucaí não se resumirão somente a bateria do Salgueiro, Mangueira e Vila Isabel. Estarão nos aplausos, no canto e na energia dos torcedores ao assistir uma prova da Maratona.

02rioMAT

O País abençoado pelo Pré-Sal, e que hoje representa a 10ª economia do mundo, receberá o mundo de braços tão abertos quanto ao do Cristo Redentor. E partir deste dia 2, mostramos que podemos almejar algo a mais sim, e não iremos baixar a cabeça. Porque como já dizia Barack Obama, “Yes, We Can!”.

fogos_artificio_pan_2007_abertura_maracana

Rio 2016, Viva a sua Paixão!