Violência nos estádios

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15 de Março de 2010, noite de domingo no Rio de Janeiro. Noite de mais um clássico Flamengo x Vasco, no Maracanã. Como sempre, um clássico disputadíssimo no campo e repleto de ingredientes para provocações aos rivais numa segunda-feira. Fora das quatro linhas, também um cenário mais que comum, porém inadmissível: as batalhas travadas pelas torcidas organizadas. Mais infeliz que isso é que tal barbárie não se limita a este clássico. Mas a qualquer confronto, em qualquer lugar do mundo e onde houver um pingo de rivalidade. Como citei anteriormente, é mais que normal provocar um torcedor adversário, tirar sarro ao discutir sobre futebol e outros esportes. Mas o que se vê há anos no Brasil, são batalhas extra-campo organizadas por verdadeiras “quadrilhas”. Não julgo nenhuma torcida especificadamente. Longe disso. O que me intriga em meio a isso tudo é a ineficácia da Policia diante dos acontecimentos.

Sempre que a situação foge do controle da polícia – algo completamente natural –, os mesmos justificam que os torcedores, se é que podem ser chamados desta forma, tramaram algo diferente do que era previsto e do que foi marcado para o suposto confronto com a torcida adversária. Para fugir dos confrontos, remarcam para outras localidades, alteram o horário, etc. E geralmente estas mudanças de plano que trazem “imprevistos para policia” são feitas por blogs – como este -, por comunidades no Orkut, Twitter, entre outros sites de relacionamento. Então me vem uma pergunta: Se a polícia sabe aonde serão planejados, aonde serão os confrontos (horário, data e local), por que vemos tantas batalhas acontecerem e tantos inocentes morrerem? Simples. O planejamento pra que se evite uma tragédia não pode ser feito só para o dia do jogo e também não pode se limitar a região no qual é feita a partida.

Ações como a da Polícia de São Paulo, em proibir que as torcidas organizadas transitem uniformizadas por estádios, podem ser um tiro no pé. A partir do momento em que se faz com que estas “quadrilhas” não estejam identificadas, estarão lhes concedendo a chance de se camuflarem entre torcedores comuns – aqueles que realmente estão presentes para torcer por seu time de coração -, tornando quase impossível a coação. É diante de ações como essa, que percebe-se a falta de planejamento e o despreparo de quem deveria reprimir tais atos de violência. Espionagem a estes sites de relacionamento seria uma forma viável e altamente eficaz, tendo em vista que já se saberiam onde e quando ocorreria o confronto. Como citei anteriormente, a medida tem que ser preventiva. Não se dá vacina em criança que já está doente. Para que o policiamento seja bem posicionado não há outro jeito a não ser planejar. Variados casos de violência nos estádios podem ser evitados desta forma. Algo absurdamente comum dentre alguns torcedores organizados é o de tomar a camisa de um torcedor adversário. Tão banal quanto isso seria se um policial estivesse monitorando o local – seja umaestação de Metrô ou de Trem, algum bar – para que isto fosse evitado. Estas e outras práticas seriam banidas se a impunidade não fosse tão natural. Por isso, a alteração no estatuto do torcedor para que criminalize atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas nos estádios de futebol e seus arredores também, seria uma ótima estratégia para inibir a ação de parte destes torcedores organizados. Talvez se não for para acabar com estas situações, que estas venham se tornar casos isolados ou ocasional.

Não precisa ser um Einstein para saber disso. Acredito que qualquer torcedor saiba qual o remédio para isso, até porque quem freqüenta um estádio de futebol sabe o que estará lhe esperando, se será uma festa de sua torcida ou um campo de batalha. Sentar e cruzar os braços para esta situação não dá. E hoje o que se vê bastante é um discurso conformista de que é impossível reverter tal situação. Flamengo x Vasco, Palmeiras x Corinthians, Atlético-MG x Cruzeiro, Grenal, Bavi, entre outros grandes clássicos do futebol brasileiro podem voltar a ser grandes espetáculos, a partir do momento em que a platéia se sentir segura de que pode aplaudir sem medo.

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